30 de agosto de 2010

Marina Silva e o Brasil no plano do Real


http://www.youtube.com/watch?v=8_yEqk8ITnU&feature=related

De chorar...O que fizemos com isso tudo depois? Meu Deus...Tivemos a chance.

Tudo muda.

Hoje é o avesso do avesso do avesso.

Marina é uma fração disso, tem a chama, mas está sozinha.

***

Esse momento de 1989 não foi só o PT, é o PV, o PDT, o PSDB...

Houve uma grande agregação política.

Vários rios confluíram para lá, Lula.

Por um momento vários diferentes queriam a mesma coisa, de um jeito que acomodava todos. Era um belo ajuntamento de plurais. Eram vários Lulas, em vários dós, rés, mis, lás. E fazia sentido, esse Lula era dos artistas, era dos trabalhadores, era dos professores, era de muita coisas e dava para confiar na soma.

Hoje tem que comprar no varejo, um por um, e a soma não fecha. As imagens são agregados de outras coisas. Não de pessoas cantando, com felicidade, "LULA-LÁ". E a confiança é fiada nos números. Na comparação com os números do outro numerólogo, FHC.

Hoje são tratores.

Paisagens.

Navios.

Bandeiras.

Máquinas.

Estatísticas.

Concreto.

E aparece Lula de terno, já mudado, e feliz com a mudança que ele viveu. Falando em off. Não é povo cantando Lula, nem artistas cantando Lula, nem nada cantando nada, é Lula falando baixinho, para não incomodar os seus apoiadores que nem todos sabem quem são, não aparecem na TV, os partidos não tem pudores nem orgulho de mostrar suas alianças, quando as carregam.

Mas ele parece só. E ao invés de falar vamos lá, ele vai dizendo, de mansinho, votem na Dilma.

Por que, presidente? Não vemos Dilma fazer como você fez e nos enlevar. Não sabemos quem é essa senhora, e se soubéssemos talvez a respeitássemos mais, quem sabe até simpatizar.

Dilma, tão mal-ajambrada em ternos e facelifting. Com suas máquinas maravilhosas. Estatísticas. Farofas de números, imagens computadorizadas, gráficos, com bonequinhos sem rosto, como ela.

Mero adereço no edifício do marketing, Dilma, perdida, atrapalha. Lula pede. Faça por mim. Lula-lá não pedia, ia junto.

Lula-lá governava corações, vários vermelhos, outros de outras cores. Governava esperanças.

Por decurso de prazo, Lula-lá não governou. Depois do anti-Lula, veio Itamar e Itamar trouxe ao mundo FHC.

Lula a cada eleição usava uma peça de vestuário mais parecida com FHC. A cada derrota no primeiro turno era seguida pelo aumento do traje.

Começou com o despojamento dos que pouco têm a esconder, a gana de chegar lá, as alianças estendendo as mãos.

Terminou de terno, fechado em copas. Bote fé e vote Lula, o hermetismo dos que escondem segredos inenarráveis.

Ganhou. Aí que não tira mesmo.

Lula-lá virou o herdeiro de FHC, não da esperança...O herdeiro do Plano Real, que tão bem soube cuidar.

O Real se tornou uma vaca sagrada, ao invés da pedra angular de um Brasil melhor.

Bote fé e caia na real.

Terá o medo de ir além vencido?

***

Só Marina quer mudar, daí o estranhamento com as propagandas de Marina.

Não tem terno, nem facelifting, nem pessoas virtuais ou reais imitando Marina, macaqueando seus trejeitos brejeiros.

Se Marina não for capaz de ajuntar, agregar, como Lula em 1989...De que valeria vencer por inércia?

Seria a continuação da fruição interrompida de 1994-2006. Do império dos números. De manter o Real por ser sagrado. De manter o curso por medo de qualquer intempérie.

Dilma está usando a mesma roupa de Lula...Remendos e arremedos de FHC.

Dilma "Doris Giesse", tudo "ráitéqui", uma boneca cibernética.

Deu certo em 1994, 1998...2002...2006...

Por que mudar? Preferência nacional.

Marina precisaria granjear no varejo seus apoios para governar.

Estou apostando, ainda, que Marina pode se fazer a esperança.

A oposição mergulha na desesperança. Os eleitores estão confusos. Nessa hora as máquinas falam melhor que o coração.

Marina tem que polarizar. Lula nunca chegou lá se aliando a Collor.

Só depois de já estar lá e degenerar. Não havia meios-termos. A fronteira era clara. Lula versus o caçador de maracujá.

Marina tem que mostrar que é maior do que o PV, assim como Lula se tornou muito, muito muito maior que o PT em 1989, empatando com o bloco do medo.

Hoje Dilma é uma caricatura colorida.

Marina tem que crescer para todos os lados, se não quiser ser ocultada pela farofa de números, sentimentalismo calculado de marketing. Tem que polarizar e agregar.

Se Marina quiser ser a substituta de Serra na disputa atual, como diria Armando Nogueira, vai perder o hoje. Será um arremedo de oposição por oposição.

E pior, já teria se perdido para o futuro. Terá deixado de ser a possível herdeira, ou de ir muito além, do Lula-lá.

Vamos ganhar o futuro, Marina.

(CF)

3 de janeiro de 2010

Filhos do Brasil


Neste primeiro post de 2010, não sei se haverá muitos outros, todos ocupados e o país ocupado com afazeres eleitorais, gostaria apenas de rememorar algumas coisas.


Depois de assistir ao filme 'Lula, o filho do Brasil'.


Com saltos temporais notáveis.


Houve um tempo em que a esperança vencedora tinha outro nome. O approach? Parecido.


E também houve um tempo em que a continuidade se travestiu de avanço e destilou medo da mudança nos corações e mentes. Já vimos esse filme?


E esses tempos nem fazem tanto tempo assim.


Tudo passa.


Tudo passará.

O impressionante é a volta. A amnésia dos bumerangues.


Apesar que, como nos lembra o Elio Gaspari, no fundo as coisas mudam para melhor, independente dos nomes...Isso devia interessar aos filhos da terra.


(CFG)

14 de dezembro de 2009

Cervofascismo


Beber até morrer
Essa é a solução
(Ratos de Porão, "Beber Até Morrer")
Guerreiros ou brameiros

Ugo Giorgetti

Não sei por que ando pensando muito num comercial da Brahma que andou, ou anda, pelas televisões.

De fato ele não me sai da cabeça.

Fiquei tão intrigado que recorri até ao site do Clube de Criação de S.Paulo, onde não só o encontrei na íntegra, como tive a surpresa de encontrar também declarações do diretor de marketing da Brahma que, por sua vez, vieram aumentar meu assombro.

Queria, logo de início, pedir licença ao diretor da empresa para refutar uma de suas declarações.

Diz ele: "Com a campanha não queremos impor nada a ninguém. Queremos apenas ser porta-vozes do povo brasileiro."

Bem, meu porta-voz esse comercial não é, isso eu posso garantir.

E, espero, também não seja de boa parte do povo brasileiro.

Para quem não sabe, o comercial descreve a atitude ideal do torcedor brasileiro em relação à Copa do Mundo que se aproxima.

Consta de uma sucessão de imagens bélicas e melodramáticas, onde supostos torcedores carrancudos, gritam, choram e batem no peito.

Para deixar ainda mais claro a observadores menos atentos que o que se espera realmente são guerras e batalhas, mistura essas cenas com outras, fictícias, devidamente produzidas e filmadas, de um grande exército medieval em ação.

Se as imagens falam por si, o pior é o som.

Vozes jovens alucinadas urrando palavras de ordem num tom ameaçador, histérico, a lembrar manifestações das mais radicais e intolerantes agrupamentos que, infelizmente, existem no interior de qualquer sociedade.

Eu me permito transcrever algumas das frases vociferadas: "Eu queria que a seleção fosse para a Copa, como quem vai para uma batalha!" "Eu quero guerreiros!", "Vamos para a guerra juntos! 180 milhões de guerreiros!" "Sou guerreiro!" No final do filme, num golpe de surrealismo que faria as delícias de Luis Buñuel, o locutor, contrariando o tom anterior de toda a mensagem, recomenda sabiamente: "Beba com moderação."

O diretor de marketing da Brahma, no mesmo site do Clube de Criação continua: "A mensagem que queremos passar ao torcedor é que, além de ser a primeira marca brasileira a patrocinar oficialmente uma Copa do Mundo, o desejo da Brahma é despertar a atitude guerreira da seleção em todos os 190 milhões de brasileiros."

Com todo o respeito que tenho pela Brahma, cuja publicidade acompanho, até por dever de ofício, há mais de quarenta anos, e que me pareceu sempre celebrar a alegria e a irreverência popular, essas declarações inspiram alguns comentários.

O que eu espero da seleção é que jogue bola.

Acho que o que nos derrotou em 2006 não foi a falta de guerreiros, mas foi o Zidane, que não era exatamente um guerreiro.

Quanto aos 190 milhões, espero que honrem nossa tradição de saber perder, como fizemos em 1950 em pleno Maracanã, ou como fizemos em 1982, encantando o mundo.

O resto é apenas apelar para o que há de pior na sociedade brasileira.

Que é o que faz esse equivocado comercial dessa grande empresa.

E de repente, a razão pela qual penso nele com tanta freqüência me aparece claramente: é que, de certo modo, o confundo com as cenas reais que aconteceram no estádio do Curitiba domingo passado.

Ao revê-las me ocorre uma pergunta: os torcedores que, ensandecidos, fizeram o que fizeram no Paraná seriam "guerreiros" ou "brameiros"?

Ou os dois?

Infelizmente não foi possível alertá-los para invadirem e quebrarem tudo "com moderação".

(CFG)

2 de dezembro de 2009

Mensanão

"Je ne te quitte pas"


Réu confesso da violação do painel de votações do Senado em 2001, José Roberto Arruda foi eleito governador do DF pelo DEM, depois de ser desfiliado do PSDB.
Em 2009, o filme parece se repetir.
Como os mensalões do PT e do PSDB, o mensalão do DEM parece destinado a ser cozido em banho-maria eleitoral. O DEM ameaça com a desfiliação. Arruda, com a língua nos dentes. Os aliados, em terra de Murici, pulam feito saci.
As imagens de Arruda e seus correligionários em incontido frenesi monetário já entraram para a "antologia Lunus". Para servir juntinho ao panetone de 2009.
Como a afetação de Roberto Jefferson em 2005, imagens viscerais. E compartilhando o mesmo ingrediente de vendetta de um ex-integrante do grupo - o voyeur que proporcionou aos cidadãos brasileiros conhecerem o destino de tantas tungadas.
No olho da câmera, o mensalão parece consolidado como prática política genérica da Nova República. Uma das mais sólidas, disseminadas e reiteradas instituições de nossos húmus políticos.
Novidade teremos se algum dos envolvidos "preventivamente cassados" não concorrer a cargo público ou se escorar nas gaiolas partidárias de 2010.
E se os albergues partidários fossem responsabilizados pelas ações de suas criaturas de todas as plumagens.
O DEM não pode dormir em paz. Como o PT. Como o PSDB.
O negócio é abrir o olho.
Aqui se paga, aqui se come.
Aqui ninguém dorme.
(CFG)

9 de novembro de 2009

O Afeganistão não é aqui!


Engana-se quem achou que a visita de Sabrina Sato à Uniban na tarde de hoje (09/11/09), trajando mini-saia rosa - essa momentânea pièce de résistence da emancipação feminina in terra brasilis -, acenderia na consciência dos estudantes machistas ali aquartelados o lume da sensatez.

O tiro saiu pela culatra, a julgar por relato do acontecimento:

No meio da tarde, a apresentadora do programa Pânico na TV Sabrina Sato provocou ainda mais confusão. Ela apareceu na prota da Uniban com um vestido similar ao usado por Geisy no dia dos insultos. Foi recebida com gritos de "gostosa". "Se a gente chamasse a Geisy de gostosa, todos iam achar que homem da Uniban gosta de baranga", disse um aluno que não quis se identificar.

Distinguir é discriminar. Discriminar é hierarquizar. Hieraquizar é dominar. Notável a franqueza dos luminares dessa vigilante ala da intelligentsia discente da Uniban na exposição de seus perversos esquemas mentais.

Mas: atribuir a esses compatriotas características de animais, voga a que erroneamente se juntou este blog pela ilustração de post anterior, é mau juízo. O mesmo vale para sua comparação a talibãs, como no hit do Twitter "UniTaleBan". Isso só serve para alimentar a vã crença de que nós, os observadores, não fazemos parte da mesma sociedade, não convivemos com o mesmo repertório de violências.

Uma coisa está acima de qualquer dúvida: Haiti talvez, mas o Afeganistão definitivamente não é aqui.

[LF]

Vindiciae Contra Tyrannos

Interessante blogue da cubana Y. Sanchez, que denuncia o governo daquele país.

[LGF]

7 de novembro de 2009

"Homens perversos e insensatos!"

Mulheres provocam violentas reações de defesa

Passagem da nota em que a reitoria da Uniban justifica a expulsão da aluna Geisy Arruda:

"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."

Marcos Guterman retoma em boa hora o argumento de que um dos incentivos para a massa perpetrar atrocidades é seu sentimento de impunidade. Isso, de fato, Elias Canetti tinha ensinado. O que surpreende no caso é a reação da reitoria.

DEFESA DO AMBIENTE ESCOLAR? Com linchamento moral coletivo e ameaças de estupro? Por qual formidável ambiente escolar não pugna esta reitoria... Legitima a "educação" dos alunos responsáveis pela reação coletiva (sic), dando-lhes ainda uma inesquecível oportunidade para aprenderem sobre a moralidade nas relações humanas.

Vergonhosamente tíbia no dia da crise, expõe agora toda sua pulsilanimidade e, mais, imoralidade, ao endossar a explosão de agressividade machista discente. A nota oficial da Uniban, publicada em jornais em 08/11/09, é espantosamente límpida quanto ao foco da sindicância realizada pela universidade: o "desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" foi constatado exclusivamente na conduta da aluna desligada. Nem uma palavra sobre os termos da "reação de defesa", e consequentemente nenhuma justificativa a explicar o porquê do anúncio de suspensão (e não desligamento, note-se) de alunos envolvidos no episódio. Nenhuma. Silêncio absoluto sobre se os envolvidos no "incidente" feriram a ética, a dignidade ou a moral.

Quanto mais instituições de ensino no país, melhor, mas devem estar à altura do nome: se não por ignorância dos mais elementares princípios de integridade da pessoa humana (muito mais amplos do que qualquer consideração a respeito de códigos de vestimenta), que outra motivação encontrar para a ignominiosa decisão? O presumível interesse de não perder os alunos envolvidos por puni-los - e/ou re-educá-los - en masse, como era de se esperar de uma casa educadora? Entrevista do assessor jurídico da Uniban à Folha de S. Paulo de 08/11/09 deixa claro que a preocupação básica da universidade é dar satisfação a seus 60 mil alunos.

Ou seja, mais que a chocante impunidade, figura a aplastante conivência da autoridade diretamente envolvida, de resto traduzindo "fascismo" para a novilíngua "reação coletiva de defesa".

Que seja permitida livre apropriação do vaticínio de José Bonifácio, cuja exclamação também vai no título: "a ordem das vicissitudes humanas está de todo invertida no Brasil"!

[LF]

29 de outubro de 2009

Notas sobre o Fascismo contemporâneo




A denúncia foi divulgada no blog Boteco Sujo e teria acontecido no dia 22 de outubro passado.O fato ocorreu durante o horário de aula e causou tanto tumulto na faculdade que as aulas foram interrompidas e centenas de alunos saíram das classes para acompanhar a movimentação. A moça teria se refugiado dos agressores em uma sala, só conseguindo sair de lá acompanhada de escolta policial. Dois vídeos circulam na internet com cenas do acontecimento.


O vídeo abaixo mostra inicialmente o intenso movimento dos estudantes no pátio central da faculdade e, mais para a frente, a estudante saindo escoltada pela polícia aos gritos de "puta! puta!".O Virgula entrou em contato com o secretário-geral da unidade, que se identificou apenas como Tiba. Ele confirmou o acontecido e garantiu que uma sindicância foi instaurada para se apurar os responsáveis. "A aluna veio trajada de uma determinada forma e isso provocou os alunos", declarou o secretário ao Virgula. Perguntado se a Uniban acha que isso justifica a agressão à aluna, o secretário foi contraditório.


Inicialmente disse que "ela deu causa, ela deu motivos", mas logo em seguida amenizou: "Também não era motivo para tanto alvoroço".


(CFG)

23 de outubro de 2009

Cada um vê o que não quer




CONACRI (Reuters) - Pelo menos 12 pessoas foram assassinadas no último mês na Guiné, onde em setembro o governo reprimiu com violência uma manifestação da oposição.


Os recentes ataques, desfechados por desconhecidos, surgem num momento de crescente pressão internacional sobre o chefe da junta militar que governa o país, capitão Moussa Dadis Camara, pelo fato de soldados terem disparado contra manifestantes desarmados em um estádio em 28 de setembro.


"Nós contamos 12 assassinatos desde 28 de setembro. Isto não inclui a morte de um alto funcionário do Ministério da Juventude", disse uma fonte na polícia à Reuters na sexta-feira, referindo-se à matança de Amadou Sadio Diallo por uma gangue armada no começo da semana. Diallo era considerado partidário de Camara.




A Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou no final da tarde desta sexta-feira um novo balanço das operações realizadas na capital carioca desde o último sábado para capturar os criminosos responsáveis pelas ações que resultaram em um helicóptero da PM abatido e três policiais militares mortos. Segundo a PM, 39 pessoas já morreram em confrontos com a polícia, incluindo neste número os oito corpos de traficantes encontrados nas últimas 48 horas, 58 suspeitos foram presos e 38 armas e cinco granadas foram apreendidas.


Na favela do Fumacê, em Realengo, zona oeste do Rio, seis corpos de traficantes mortos em confronto com a polícia foram encontrados no início da manhã de hoje com marcas de tiros. Quatro deles estavam em uma lixeira e dois foram deixados na rua. Na madrugada desta quinta-feira, outros dois corpos de traficantes, que também teriam morrido em confrontos com a polícia, foram encontrados em frente ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte da cidade.


(CFG)

22 de outubro de 2009

Honduras, 2009

video

Algumas palavras jogadas ao vento sobre a crise hondurenha...

Gravado na sexta-feira, dia 16 de outubro de 2009, na TV UFMG.

19 de outubro de 2009

A capital do Segundo Reinado chegou lá

Deu, sem perda de um instante, n'O Globo:

RIO - Um integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou, nesta segunda-feira, em entrevista a jornalistas, que a guerra do tráfico no Rio, que deixou mortos e derrubou um helicóptero da Polícia Militar no fim de semana, não se compara com o que aconteceu em Londres, no dia seguinte à sua escolha como sede dos Jogos de 2012. Sir Craig Reedie também integra o quadro executivo das Olimpíadas da capital inglesa. (...)

Um dia após Londres ganhar a disputa pela sede das Olimpíadas de 2012, quatro ataques suicidas mataram 52 pessoas em explosões no sistema de transporte público, em julho de 2005.

Em uma entrevista sobre esportes em Londres, Mike Lee, guru de relações públicas por trás das candidaturas de Londres e do Rio, disse que "cidades grandes são lugares perigosos com pesados desafios".

Depois do presidente da República declarar, comovido, que o Brasil conquistou sua cidadania internacional, vê-se agora que, cada uma com seu nobre cada qual, a metrópole carioca alça pé de igualdade com a londrina!


[LF]

16 de outubro de 2009

Não é justo.




Nunca fui fã do volante Emerson.

Mais precisamente: acho que a seleção brasileira de futebol (uma equipe esportiva, não um país) perdeu a copa do mundo de 1998 na hora em que o técnico Zagallo cortou Romário e convocou Emerson para seu lugar.


E em 2002, a seleção começou a ganhar a copa quando Emerson foi cortado, na véspera, por ter se machucado jogando de goleiro numa atividade recreativa durante os preparativos da equipe.


Nunca vi grande brilhantismo em seu jogo, de regularidade e marcação forte, no Grêmio e nos muitos clubes de elite em que jogou na Europa. Não me apetece, e havia vários outros jogadores do mesmo estilo disponíveis. Nunca entendi o burburinho causado pela menção do nome de Emerson por técnicos, cartolas e corneteiros de plantão. E continuarei sem entender, como outras tantas coisas incompreensíveis (Gilberto Silva titular da seleção, tantos anos após seu apogeu no Galo mineiro?)


No entanto, no apagar das luzes de sua carreira no futebol, já de volta ao Brasil pelas mãos de seu amigo, o técnico Luxemburgo...Situação complicada. Eis que...Me surpreendo positivamente com Emerson.


E veja só, não dentro de campo (só jogou meia dúzia de jogos, discretíssimos, eu diria, como sempre, pelo Santos). A lição que ficou não é de acompanhar o adversário incansavelmente.


O volante Emerson afirmou que pediu por conta própria para rescindir o contrato que tinha até o final do ano com o Santos, por não achar justo receber salários sem atuar. O atleta passará por uma cirurgia na tíbia esquerda e não atuará mais este ano.

"Como faltam apenas três meses para o fim do Campeonato Brasileiro, não achei justo seguir com meu contrato em vigor e nem continuar recebendo salário sem jogar. Conversei com (o técnico Vanderlei) Luxemburgo e com o presidente (Marcelo Teixeira), eles entenderam e aceitaram meu pedido", afirmou o jogador, através de nota para a imprensa.


Pois é.


Emerson e o Santos sabiam das condições físicas do primeiro? Sim. E mesmo assim apostaram? Sim.


É legal receber sem trabalhar?

Sim. Para lá de legal.

A atitude de Emerson é que destoa do script.


Fica a lição para nossos representantes para além das quatro linhas do campo. Estes que não foram selecionados pela natureza ou pelas divindades, mas que estabeleceram um vínculo contratual com nossos cidadãos.


Se não atua, não é justo receber...


Isso sim é tremendamente legal. E a iniciativa parte dos próprios, não dos representados.

Ainda mais em fins de legislaturas, no apagar das luzes de mais um capítulo de nossa história (ainda) sem fim.


Gol de placa de Emerson. O gol foi...legal!


(CFG)

9 de outubro de 2009

3 de outubro de 2009

XIX Jogos Olímpicos da Era Moderna


For Mexico, 1968 was a special year, one in which it would host the Olympics during October 5-27 to demonstrate to the world how modernized and civilized it was. The Mexican economy had been booming for years and was to be displayed so the world would know that the nation had arrived.

President Díaz Ordaz and other government officials believed, no doubt, that hosting the Olympics was the most important act of the year, if not of decades, and that nothing could be allowed to interfere with this great enterprise. Believing this, they assumed that all other Mexicans were equally concerned with the Olympics; they did not recognize the causes of nor understand the rationale behind the youth cult flowering in the 1960s and the emergence of the iconoclastic New Left.

In July 1968, the mayor of Mexico City sent the riot squad to stop a fight during a soccer game between a technical school and a preparatory school, the citizens of the Federal District began to take a more critical view of government. The granaderos broke up the fight, followed the students into the school building, and beat them. Following this event, a student demonstration was held to protest the police brutality, which turned into a violent battle between police and students that lasted for days. Students burned buses, police beat students, and students were arrested and jailed.

On August 1, 1968, President Gustavo Diaz Ordaz delivered the informe, the annual State of the Union message from Guadalajara, in which he promised his government would engage in a dialogue with the students. When no progress occurred, student leaders led a mass march on August 27th to the Zócalo, the central plaza bordered by the National Palace, the National Cathedral, and the city hall. Not only did they protest, but decided to leave more than 5,000 people there to “hold” the plaza, the heart of the nation, hostage; the act was seen as a direct threat to the authority of the national government. The movement had gone too far. Soldiers, police, and firemen retook the Zócalo in the early hours of August 28th, using extreme, indiscriminate force.

Pressure to end the student movement before the Olympics increased. Foreign reporters were reporting the events; Mexico responded by condemning the students via media as Communist, paid by foreign governments, an embarrassment and threat to Mexico.

On September 18th, the army invaded the headquarters of the student movement, UNAM campus. The invasion of sparked a wave of violence, but the weakened movement would not surrender. Soldiers in jeeps, armored cars, and tanks guarded the main streets of the city. On September 28, the leaders and government agreed on a joint dialogue; the leaders publically insisted the removal of the army from the UNAM campus before the dialogue and promised not to interfere with the upcoming Olympic Games. On September 30, the army was removed and negotiations for peace began, however the movement still called for another mass meeting in Tlatelolco on October 2nd to protest the continued occupation of the city by the army. The protest was be followed by a peaceful, silent march.


In the late afternoon of October 2, thousands of protesting students and curious community families assembled in Tlatelolco’s Three Cultures Plaza. As the afternoon turned to evening, a helicopter appeared in the sky over Tlatelolco and began to drop flares. Unbeknown to the students and innocent bystanders, tanks and soldiors waited outside the entrances to the plaza. The tanks and the soldiers were ordinary business for the government, the flare throwing helicopter was not.


Thousands attempted to flee the plaza, stumbling over Aztec ruins and trying to find refuge in the Iglesia de Santiago church.


“Open the door!! They are killing everybody! For the love of God open!” the horrified protesters screamed as they pounded on the door of the church. No one ever came to their aid. No one opened the door. Many died at the door, shot and bayoneted to death.


The machine guns opened fire first, soldiers and tanks came rushing in, closing off the exits, turning the crowd into a confused, terrified mob. For sixty two minutes, parents and their children screamed, gunfire came from every direction; then the massacre ended. No one was permitted in or out of the plaza, no ambulances for the wounded, thousands of innocent lay in streets that wept blood.


A heavier rain of bullets than any of the ones before began and went on and on. This was genocide, in the most absolute, the most tragic meaning of that word. Sixty-two minutes of round after round of gunfire, until the solders’ weapons were so red-hot they could not longer hold them.Leonardo Femat


Now that I’d managed to get to Julio and we were together again, I could raise my head and look around. The very first thing I noticed was all the people lying on the ground; the entire Plaza was covered with the bodies of the living and the dead, all lying side by side. The second thing I noticed was that my kid brother had been riddled with bullets.


The special presidential guards of the Olympia Brigade and the Army tore the clothes off the people they thought were student leaders as means to identify them before gathering them and taking them away. Journalists in the crowd photographed the nearly naked students, the shreds of the clothing hanging around their battered, bloodied bodies. Five hours after the helicopters had dropped the flares, the first ambulances were allowed into the plaza.


After the massacre, the army rounded up the bloody bodies, dead and broken, crushed by tanks, and tossed them into dump trucks and garbage trucks. They then hosed down the plaza to wash away the blood along with all evidence of what happened that night. Few reporters were allowed to photograph or film anything, only governemnt controlled official news media.


Many of the bodies were said to have been buried in mass graves on the outskirts of Mexico City and others were thrown into crematoriums at the army bases.


The next morning, a few newspapers reported a small incident at Tlatelolco. According to headlines and the “official” government version of the incident “Violent students holding a rowdy protest had shot some soldiers and the soldiers were forced to open fire in self defense.” Some soldiers had been killed in the fight and it was announced 30 people had been killed and hundreds arrested.


Although the estimated death toll was between 300 and 500 with as many as 3000 wounded, the police later released an official statement saying only twenty-six were killed, thus only twenty six autopsies were performed. The leaders of the protest were tortured, beaten, burned, shocked, and humiliated for days. Of course, after exhaustive investigation it was proved, they had no secrets nor money from foreign governments.


In spite of official Olympic propaganda promoting Mexico as an emerging democracy which sought social justice, the 1968 student movement revealed the system for what it was: authoritarian, sometimes brutal, and primarily interested in making the rich richer. In spite of a federalist, democratic constitution, the nation was ruled centrally from Mexico City, social services were dispensed according to political imperatives not need and income disparities were increasing.


Fourty one years to the day, and not one sentence is written in school textbooks about the bloodiest massacre of Modern Mexico. All that took place at Tlatelolco in 1968 was and remains an official secret of public knowledge.


(CFG)

1 de outubro de 2009

Freud explica


"O cara" de Chicago nos anos 30


Revista norte-americana ataca segurança pública do Rio



'The New Yorker' chama cidade carioca de 'terra de gangstêrs'; decisão sobre a sede dos Jogos sai na sexta





O curioso é que, além de Madrid e Tóquio, o Rio concorre com a terra do sujeito aí de cima...





(CFG)

29 de setembro de 2009

Indig/Resig/nação

Otto Dix

Nos meios esportivos mineiros, a atenção na semana passada esteve centrada na "crise" gerada pela visita do atacante e ídolo cruzeirense Kleber a uma festa de palmeirenses. A Máfia Azul, torcida organizada do plantel celeste, inconformava-se com o fato de o jogador ter atendido especificamente ao convite de uma torcida pela qual nutre figadal antipatia, a Mancha Verde da esquadra alviverde. Fosse uma Gaviões da Fiel corinthiana ou outra qualquer, que não é - como a Mancha - aliada à torcida do arquirival cruzeirense Atlético Mineiro, a Máfia não se teria sentido tão ofendida. Assim corria a cobertura.

Poder-se-ia notar que essa visceral sensibilidade simbólica da cacicagem cruzeirense - mas também de toda e qualquer outra massa - é sinal agourento. Tanta exacerbação indica que o esporte é tratado menos como festa adversarial do que como veículo para o desencadeamento das mais excessivas e desregradas pulsões de inimizade.

Mas mais interessante é notar como essa iracunda gramática de amizade/inimizade deu o tom do noticiário. Cobrindo à exaustão o caso Kleber, transmitindo entrevistas com o presidente do Cruzeiro sobre o
crisis management, pesquisando a reação de segmentos da torcida celeste e divulgando a repercussão na torcida alviverde, pouco espaço reservou - e pouco interesse despertou - para o jovem Douglas Henrique Marinho de Oliveira.

O garoto, de treze anos, foi levado pelo padrasto ao Mineirão para assistir à partida entre Cruzeiro e ele, Palmeiras, na última quarta-feira. Voltou para casa, quando voltou, sem a visão do olho direito. Foi alvejado por uma bala de borracha disparada por um policial militar em meio às tensões entre Máfia e Mancha, ou sabe-se lá entre quem e quem. Em seu re
lato: “A gente estava indo embora, aí um policial soltou a torcida do Palmeiras. Não tinha briga, os cruzeirenses correram quando viram os policiais chegando, mas não tinha briga. O pessoal da Mancha Verde estava pronto para brigar, aí um policial atirou, deu três tiros".

A escandalosa inépcia da polícia não esgota o problema. Não fora o acirramento de tensões de lado a lado, e da consequente transformação dos arredores do estádio em praça de guerra, não se produziriam tragédias como esta que completa sua primeira semana. Porém, há mais: o mesmo acirramento, que serviu de isca à atenção de quantos consumidores do noticiário esportivo quiseram se inteirar sobre o caso Kleber, determinou este lamentável corolário - ironicamente futebolístico - do caso Douglas: escanteamento.

A indignação, constata-se, convive bastante bem com a resignação. Kleber e Douglas estão em campos diferentes.

[LF]

23 de setembro de 2009

Honduras na Queda


Escrevo sobre Honduras

Os corpos cheios de chão

O sangue em barris cai

Emparedem se for o ar

Vozes nas guilhotinas

Chapéus bonitos e botas

Nos rostos do estômago

Morrer comida matar


Se é isso que querem

Escrevo sobre Honduras

Aguardam as bandeiras

Gás mal cabe em vidros

Toda viragem não vai

Tão cedo despertar

O sono dos vitoriosos

O choro dos feridos


Por toda a urbanidade

Os caminhos confundem

Escrevo sobre Honduras

Libertadores aos pés

Vem salvar das lanças

Dos tropeços esquecidos

Sacode a embriaguez

Que são findas marés


Cai treva sobre a terra

E nada mais será visto

Se morrer no interdito

Escrevo sobre Honduras

Qual nada mais tivesse

Quanto tantos dizeres

Silêncios para deitar

Pelas machucaduras


Corto os tímpanos

Jogo fora os baldes

De arame me farto

Tardando difícil

Escrevo sobre Honduras

Mas há de um suspiro

Jorrar de agonia

O desatino míssil


Golpeiam menos mais

Plumas caninas

A alçar os títeres

Muxoxos entrelaçados

Regras adentro

Escrevo sobre Honduras

Pois que se move

De lá não passarão


Grafites de cal

Aguardam esquinas

Que as eternizem

Na faísca lembrança

De relato infiel

Loucuras elogiosas

Escrevo sobre Honduras

Já não é aqui


Vide ó arrasada

Ai de ti que bobos inflama

Ruborizados de fel

Calados os passos

De esperança retarda

Perdeste mais um arauto

Vive e versa e atravessa

Escrevo sobre Honduras


(CFG)

22 de setembro de 2009

Rufam os tambores




Para Delmer Urbizo, País "pretende ser a nova polícia regional" a serviço do governo americano

GENEBRA - O ex-chanceler de Honduras e ex-embaixador do país na ONU, Delmer Urbizo, acusou o Brasil de estar "promovendo um conflito" e "se envolvendo perigosamente" em assuntos internos de outro país ao aceitar em sua embaixada o presidente deposto Juan Manuel Zelaya. "O Brasil pretende ser a nova polícia regional e quer um novo status mundial. Temo pelo que possa ocorrer se o comportamento for esse. Conflitos podem surgir dessa atitude de ingerência em assuntos internos", ameaçou o ex-chanceler. "Não sei se a região está disposta a trocar a ingerência americana por uma ingerência brasileira", atacou.

O diplomata, que declarou seu apoio ao governo de Roberto Micheletti e passou a representá-lo na ONU, foi expulso na semana passada da entidade internacional, depois que o Brasil pressionou para que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas não fosse autorizado a iniciar seus trabalhos se o embaixador insistisse em se manter dentro da sala.

Seguranças tiveram de acompanhar o diplomata para fora da sala, depois de todo o dia de paralisia da agenda da ONU. Além de ex-chanceler, Urbizo já ocupou todos os principais cargos do país e várias pastas no governo durante os anos 90 e parte da atual década, inclusive o de presidente do Banco Central de Honduras.

"Agora entendo para que é que o Brasil está se rearmando, comprando caças. Não é para proteger a Amazônia. O País tem outros interesses que vão bem além de seu território", acusou o diplomata, em Genebra.

Na segunda-feira, Urbizo estava com seu discurso preparado contra o Brasil. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduz uma política externa "desastrosa". "Se o Brasil acha que pode substituir os EUA na região como a polícia continental, acho que está muito enganado. O Brasil tem um terço de sua população interna na miséria. Deveria estar mais preocupado com isso que com a situação interna de Honduras", disse.

Urbizo ainda recomendou que o Brasil deixe de atuar "à serviço dos EUA". "Lula fez muito pelo Brasil internamente. Mas, em sua politica externa, seguiu à risca o que os americanos lhes pediram", acusou o diplomata. "Washington deixou claro que é o Brasil quem o representa na região. Agora, o que o Brasil quer é se aproveitar da situação para mudar a doutrina Monroe. A América do Norte para os americanos e a América Latina para o Brasil", disse Urbizo. "Onde é que estava o Itamaraty durante a ditadura militar no Brasil? Muitos desses diplomatas brasileiros que se dizem pró-democracia atualmente estiveram ao lado de generais. Deveriam ter vergonha do que estão dizendo e fazendo pelo mundo", disse.

O ex-chanceler, que está impedido de entrar na ONU, insiste que continua sendo o embaixador hondurenho perante as Nações Unidas e que a entidade oficialmente até agora não processou a suspensão de suas credenciais. Para os demais países, a questão já está fechada e a questão da suspensão do credenciamento é apenas um processo burocrático a partir de agora.


(CFG)

21 de setembro de 2009

TRUCO!


TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira, 21, que ninguém voltará a tirá-lo de seu país, e que as palavras de ordem após seu retorno continuam sendo "pátria, restituição ou morte". Por sua vez, o presidente de facto, Roberto Micheletti, pediu que o Brasil entregue Zelaya, que está abrigado na representação do País em Tegucigalpa. "Pedimos que o Brasil respeite a ordem judicial contra o senhor Zelaya e o entregue às autoridades competentes de Honduras", afirmou Micheletti em mensagem televisionada.


"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", enfatizou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que permanecem em frente à embaixada brasileira. O governo interino protestou contra o Brasil, e responsabilizou o País por qualquer ato de violência que possa acontecer perto da sede diplomática.

"É inaceitável para o Governo da República a conduta de tolerância da embaixada brasileira, ao permitir que se formulem chamados públicos à insurreição e à mobilização política por parte do senhor José Manuel Zelaya Rosales, fugitivo da Justiça hondurenha", assinala uma nota do governo Micheletti dirigida è embaixada brasileira, divulgada pela chancelaria hondurenha. "Tal ingerência nos assuntos privados dos hondurenhos é condenável e por tal motivo se protesta de maneira enérgica", pois isso "constitui uma flagrante violação do direito internacional", acrescenta.

Logo após o retorno de Zelaya, Micheletti decretou toque de recolher em todo o país, com início às 16h e término às 7h de terça-feira. A medida foi anunciada pelo rádio e televisão. Em um breve comunicado, o governo interino indicou que o toque de recolher é "devido a eventos ocorridos nas últimas horas", com o objetivo de "proteger a tranquilidade, a vida e os bens das pessoas."

Antes da confirmação de que Zelaya estava na embaixada brasileira, Micheletti afirmou em entrevista coletiva que sua administração dispunha de "provas de que Zelaya não estaria em Honduras" e que o líder "estaria tranquilo em uma suíte de um hotel da Nicarágua". Segundo o presidente de facto, um jornalista local estaria fazendo "terrorismo midiático para provocar a população". Ainda não está claro como Zelaya retornou ao país.Participação brasileiraEm Nova York, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que Zelaya chegou ao local por meios próprios. A mulher do presidente deposto disse que o marido está bem e pronto para iniciar o diálogo para resolver a crise. "Agradeço ao presidente Lula por permitir a entrada dele na embaixada", afirmou Xiomara Castro. Na sede da representação brasileira, Zelaya disse a jornalistas que retornou a Honduras para dialogar e desenhar um caminho de retorno à paz e à tranquilidade. Mais cedo, o líder deposto havia afirmado em entrevista por telefone que voltou ao país e pediu por um "diálogo nacional e internacional."

"Não posso dar mais detalhes, mas já estou aqui", disse Zelaya ao canal 36 da televisão local. Anteriormente, a chanceler do governo de Zelaya, Patricia Rodas, havia dito que ele estava na sede das Nações Unidas (ONU) na capital, embora o escritório da ONU na cidade houvesse negado a informação.

OEA convoca reunião

A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de emergência para o final da tarde de hoje. O secretário-geral do órgão, José Miguel Inzulza, pediu, em nome do órgão, que o governo de facto garanta a integridade física de Zelaya e a segurança da embaixada brasileira.

"Queremos pedir calma aos envolvidos neste processo, e assinalar às autoridades do governo de facto que devem se fazer responsáveis pela segurança do presidente Zelaya e da embaixada do Brasil", afirmou Insulza em comunicado. Ele afirmou ainda que considera viajar ao país "o mais rápido possível."

EUA pedem calma

O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, pediu calma a ambos os lados da disputa política. "Creio que no momento tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento", disse. A embaixada americana no país centro-americano está buscando mais detalhes sobre o caso.

O porta-voz não falou sobre a situação legal de Zelaya em Honduras e, segundo disse, isso depende do "regime de fato em Tegucigalpa". "Certamente nós achamos que Zelaya é o líder constitucional edemocrático de Honduras", reiterou Ian Kelly.
Chávez exalta Zelaya

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também comentou o retorno do líder deposto. "Informo que o presidente Zelaya, viajando durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida, com apenas quatro companheiros, conseguiu chegar à capital de Honduras e está em Tegucigalpa", afirmou."Exigimos aos golpistas que respeitam a vida do presidente, que entreguem o poder pacificamente", acrescentou o líder venezuelano, que vai entrar imediatamente em contato com outros governos da América Latina e de outras partes do mundo para ativar as iniciativas previstas para o retorno de Honduras à ordem constitucional e democrática.

Texto atualizado às 20h40.


(CFG)

12 de setembro de 2009

11 de Setembro - Um Lembrete


[LGF]

9 de setembro de 2009

Libertas quae sera tamen


Usando cassetetes e pistolas, dois policiais militares abordaram quatro jovens, incluindo dois possíveis adolescentes, que pegavam carona de bicicleta na traseira de um ônibus, na Avenida Afonso Pena, no bairro Cruzeiro, na Região Centro-Sul da cidade. (...)

Indignado com o uso das armas, [um advogado que presenciou a cena, José Otávio] Latalisa pediu informações para uma reclamação, mas recebeu a resposta que os soldados que estavam no local eram a autoridade máxima. (...)


De acordo com o soldado Tiago Santos, do 22º Batalhão, um dos que fez uso da arma, os jovens estavam fazendo uma
infração de trânsito e poderiam estar armados. “Todos podem ser suspeitos”, disse. Ele completou que liberou os jovens por que o advogado “chegou para atrapalhar”. (...)

Sobre a forma de abordagem dos soldados Tiago Santos e Flávio Souza, o cabo também disse que “se a gente for colocar em prática a abordagem dos direitos humanos colocaria todo mundo de joelhos com a mão atrás da cabeça”. Ele completou que a arma é a
ferramenta de trabalho do policial e ela é usada em qualquer tipo de ocorrência.

Do Uai, com grifos nossos.

[LF]

7 de setembro de 2009

Comemorar?


No ano que 'comemora' o início da II Guerra Mundial, um pouco de revisionismo cai bem (Mais...)

[LGF]

6 de setembro de 2009

Nossas ruínas mordenas

Os astecas deram ao Eixo Monumental de Teotihuacan nome mais condizente do
que o de Lucio Costa, em se tratando de decadência civilizacional : Rua dos Mortos


J. Souza, no Estadão de hoje, critica a difundida tese do patrimonialismo como mal maior da sociedade brasileira. O "conflito" inventado entre Estado - tido como corrupto - e mercado - tido como racional - constitui, segundo o autor, cortina de fumaça que nos cega para os problemas de fundo do país, dando ainda verniz de pensamento crítico à autoindulgência dos privilegiados. Escreve:

"Isso não é 'luta de classes'? Apenas porque não há piquetes, polícia e sangue nas ruas? Apenas porque essa dominação é silenciosa e aceita, dentre outras coisas porque também eles, os humilhados e ofendidos, ouvem todo dia que o nosso único mal é a corrupção no Senado ou em algum órgão estatal?

E para as classes média e alta? Não é um verdadeiro presente dos deuses ter privilégios que nem seus consortes europeus ou norte-americanos possuem e ainda poder ter a consciência tranquila de quem sabe que o mal do Brasil está em 'outro' lugar, lá bem longe em Brasília, um 'outro' abstrato, mau por definição, em relação ao qual podemos nos sentir a 'virtude' por excelência?"

[LF]

2 de setembro de 2009

TERROR


da Efe:

Os Estados Unidos estão investigando o escândalo envolvendo guardas da empresa de segurança privada ArmorGroup, que trabalham na embaixada americana em Cabul, depois que uma ONG denunciou atos de humilhação a funcionários, além de festas com presença de prostitutas, no próprio edifício.


O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse nesta quarta-feira que o governo "considera extremamente sérias as acusações", e afirmou que uma equipe do escritório de Segurança Diplomática viajará para Cabul, nos próximos dias, para investigar as denúncias.


A organização independente e sem fins lucrativos Project on Government Oversight (Pogo) enviou, na terça-feira, uma carta à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na qual denuncia o comportamento de 30 guardas e supervisores, registrado em imagens que deram a volta ao mundo hoje.


A ONG deu início a uma investigação depois que vários guardas entraram em contato com a organização, para expressar sua preocupação sobre os ocorridos e apresentar provas.


De acordo com a Pogo, o material apresentado como prova mostra cenas nas quais os guardas "urinam em cima de pessoas, tomam doses de vodca, quebram portas, bêbados, e ameaçam e intimidam" os funcionários que não participam.


As fotografias mostram, além disso, os guardas e seus supervisores em "várias fases de nudez".
Outros documentos mostram funcionários posando com afegãos em Camp Sullivan, enquanto consomem álcool, e outros mostram um agente seminu que aparentemente urinou em cima de um afegão, atos considerados ofensivos e intoleráveis.


Em pelo menos uma ocasião, supervisores levaram prostitutas a Camp Sullivan.


"Houve algumas coisas em Cabul que desconhecíamos, mas que, francamente, deveríamos ter sabido", disse o porta-voz.


O mais indigno é que a indignação de quem lê nem sempre atinge o ponto: a ocupação do Afeganistão.


Ocupação civilizada pode. Isso aí, não. Né?


(CFG)

1 de setembro de 2009

Deja-vu


"É portanto, com satisfação e orgulho patriótico
que hoje sancionei o texto da lei aprovada pelo Poder Legislativo
e que constitui novo marco da nossa independência econômica"
(Getúlio Vargas, 1953, no dia da criação da Petrobrás)


Curiosamente, em mensagem à nação no ano seguinte, Vargas foi cauteloso ao falar sobre a independência econômica trazida pelo "nosso petróleo". Afirmava que o grande fato econômico de 1953 fôra...



Mundo, mundo, velho mundo...


(CFG)