17 de Julho de 2008

O mundo é plano e o moralismo é raso

Dr. Strangelove


Trecho de artigo de Thomas Friedman para o New York Times:

Não somos perfeitos, mas os Estados Unidos ainda têm alguma estrutura moral. Há farsas que nós não toleraremos. A votação da ONU sobre o Zimbábue demonstra que isto não ocorre quando se trata desses países "populares" - chamados Rússia, China ou África do Sul - que não vêem problema em ficarem do lado de um homem que está pulverizando o seu próprio povo.

Confesso que gosto desse tipo de artigo, porque corajoso. Mas usar a questão do Zimbábue como metonímia para a moralidade estadunidense é descabido - e até desonesto. Não foi a população americana que elegeu, democraticamente, um presidente capaz de forjar provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque? Pois é... Pelo visto, os americanos também toleram farsas homéricas.

Há uma passagem no documentário "Sob a Névoa da Guerra", dirigido por Errol Morris (2003), com o ex-secretário de estado Robert McNamara, que me chama a atenção em especial. McNamara afirma - com o tom confessional dos que se aproximam do fim da vida: "se tivéssemos perdido a II Guerra, eu e [Curtis] LeMay teríamos sido condenados por crimes contra a humanidade". Ele se referia ao desnecessário bombardeio de centenas de milhares de japoneses em Hiroxima e Nagasáki, quando o inimigo já se encontrava prostrado.

Qual será a opinião de Friedman sobre o Nobel da Paz Henry Kissinger - grande bastião da diplomacia americana do século XX? Theodore Roosevelt e sua doutrina do "big stick"? Truman? Nixon? Eu sinceramente me pergunto...

DBL

3 comentários:

Carlos Frederico disse...

Realmente, o estofo do artigo do Friedman é precário.

Toda sociedade olha para o próprio umbigo com olhos benevolentes.

Até que gere uma catástrofe e seja destruída e reconstruída, como na Alemanha e África do Sul modernas.

Anônimo disse...

Dr. Strangelove? A foto não é do Uribe não? :P

D.B.L. disse...

:-)

ah, dá quase na mesma...