Prostituição e política internacional... existe algum vínculo aparente?A temática da exploração sexual já foi objeto das relações internacionais em diversas oportunidades, como nos tratados relativos aos Direitos Humanos em geral, direitos da mulher ou das crianças em particular.
Da mesma maneira, a intensificação do turismo sexual foi um dos argumentos utilizados pelas autoridades espanholas para endurecer o controle de entrada de brasileiros no país, causando o caloroso debate sobre xenofobia e reciprocidade diplomática que observamos no último mês.
Além disso, prostituição e política (doméstica) freqüentemente andam juntas, relação responsável pelo ocaso de diversos figurões, abalados em sua moral supostamente ilibada. Quem não se lembra das conexões perigosas entre o meretrício brasiliense e a alta cúpula da política federal, durante o escândalo do mensalão? Quem não se lembra dos relatos de festas marcadas por sexo, cujo principal observador, um caseiro que serviu de testemunha a algumas delas, foi o responsável pela queda do Ministro da Fazenda?
Nos Estados Unidos, o assunto comumente é levado a público - e muito a sério - pela opinião pública. Um dos casos mais notórios é o do apresentador de TV e ex-prefeito de Cincinnati Jerry Springer, que renunciou a seu cargo de vereador nos anos 70 após admitir ter contratado uma prostituta. Entre altos e baixos na carreira política, Springer buscou, em 198o, a nomeação do partido democrata para o governo de Ohio, numa campanha em que tratava publicamente do seu "obscuro" passado. "Não tenho medo [de admitir ter pago, com cheque, uma prostituta], mesmo da verdade, e mesmo que ela doa", diz o candidato em uma de suas propagandas políticas. Perdeu a disputa, mas ficou marcado pelo tom transparente com que falou do assunto.
O recentíssimo caso do ex-governador de Nova York, Eliot Spitzer, mostra que o tabu não foi superado. Claro que sua complexidade - aliando prostituição, corrupção e adultério - foi responsável pela rápida queda do político nova-iorquino, e é difícil dizer qual o papel da "prostituição" nessa equação. De qualquer forma, o escândalo conferiu a seu "antagonista", a garota de programa Ashley Alexandra Dupré, seus 15 minutos de fama. Fez também que o sucessor de Spitzer, David Paterson, confessasse (preemptivamente?) ter-se enveredado em aventuras extra-conjugais assim que assumiu o cargo.
O curioso, e por isso tentei ligar no mesmo fenômeno "prostituição" e "política internacional", é que um escândalo como o de Spitzer assentou-se em uma estranha triangulação envolvendo um político e uma prostituta norte-americanos... e uma cafetina brasileira.
"Cafetina que ajudou a derrubar o governador de NY chega ao Brasil", diz uma das diversas manchetes sobre o assunto nos jornais de hoje. A prostituta brasileira Andréia Schwartz, presa por mais de um ano nos EUA por prostituição, lavagem de dinheiro e posse de drogas, foi uma das principais testemunhas no caso Spitzer - denunciando a rede de prostituição na qual o ex-governador envolvera-se.
Depois de um longo processo, Andréia Schwartz foi deportada para o Brasil e chegou hoje em terras tupiniquins. Despertou - muito - mais interesse que o outrora absoluto rei Pelé, com quem compartilhou o vôo para São Paulo. Foi o assunto do dia na mídia. Assim como Alexandra Dupré, ganhou notoriedade aqui e acolá, garantindo também seus 15 minutos de fama.
A prostituição deixa de ser objeto para se formar sujeitos das (cada vez mais complexas e curiosas) relações internacionais. Será este um dos sinais da globalização? [GSPC]
1 comentários:
Certamente mereceria um estudo: a genitália nas alterações da configuração mundial. Começando por Cleópatra que, como sabemos, tinha, digamos assim, um bom jogo de cintura.
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